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sexta-feira, 13 de março de 2015

Pré-estreia do espetáculo "Paulo da Portela", dia 12 de março

A Sala Municipal Baden Powell lotou com convidados e os integrantes da escola de samba Portela na pré-estreia do espetáculo "A História de Paulo Benjamim de Oliveira - O Paulo da Portela". Emoção, muito samba, magia e a maestria de nosso ícone do carnaval apresentados em 90 minutos de espetáculo, com a magnânima Zezé Motta em companhia de Wilson Rabelo, Leonardo Castro e Thiago Justino e o brilhantismo do elenco: Cridemar Aquino, Leandro Nicolau, Carlos Maia, Plínio Abençoado, Arthur Pimenta, Maria Cayres, Chris de Paulo, Carla Gomes, Negrogun, Lucas Sales, André Nepomuceno, Ana Suely Malta, Douglas Braz Moura e Carlos Mutalla.

As fotos são de Luiz Leite e Maristela Bandeira.


















terça-feira, 10 de março de 2015

Torna-se “o professor”, o “Paulo da Portela”

Vamos nos apressar, o trem já vai sair! Nossa, mas quanta gente! Para onde esse povo todo vai? Ah, é claro! Vamos todos para Oswaldo Cruz. E pensar que da Central até lá são muitas estações de trem a percorrer. Cada uma com sua gente, sua característica, seu tempo de parada, seu jeito e vidas. 


E ao passar por cada uma delas, alguns passageiros sobem, outros descem, outros perdem o trem e se deixam levar... São como estações da vida. E Paulo trafegou por diversas dessas estações. 

domingo, 8 de março de 2015

Grupo carnavalesco Escola de Samba de Oswaldo Cruz

Em 11 de abril de 1926, surgiu o Conjunto Carnavalesco Escola de Samba de Osvaldo Cruz, em cuja organização teve papel importantíssimo: líder, produtor, relações públicas, organizava os eventos, discursava, lutando para que o samba e as escolas de samba tivessem o seu devido reconhecimento.


A participação pública de Paulo da Portela logo fez dele um líder classista muito considerado por seus pares e por alguns jornalistas, que nele via despontar uma estrela do proletariado.


fonte: site Compositores da Portela

sexta-feira, 6 de março de 2015

Pré-estreia nesta quinta-feira para convidados

É nessa quinta-feira, dia 12 de março, às 20h horas, a pré-estreia do espetáculo A História de Paulo Benjamim de Oliveira - O Paulo da Portela, na sala Baden Powell, em Copacabana.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

66 anos de saudades do professor

Em 30 de janeiro de 1949, morre Paulo Benjamin de Oliveira. Um ataque cardíaco tira de cena “Paulo para sempre da Portela”! 

Depois de ser lindamente homenageado no circo Teatro São Jorge de seus amigos Zé e Zilda, Paulo, após forte emoção, volta para casa e falece ao lado de sua companheira Maria Elisa, que não permite que seu corpo seja velado na quadra da Portela, apesar de seu amigo Alvaiade ter revelado que na véspera Paulo havia lhe dito que voltaria à Portela. 

Foto do enterro de Paulo da Portela. Fonte: http://raizdosambaemfoco.wordpress.com/2013/02/05/paulo-da-portela-professor-do-samba-parte-3/. 

Não foi possível organizar um “Gurufim”, o tradicional velório dos pobres, feito em casa, animado por brincadeiras, cachaça, comida e café. A morte de Paulo provocou uma grande comoção pública, seguida de um grande alvoroço causado pela enorme concentração de pessoas que se dirigiram à sua residência. Todos lamentavam profundamente a perda do grande líder, o grande representante que tanto lutou e perseverou para transformar a realidade de sua gente. 

Autoridades, agremiações carnavalescas e personalidades manifestaram seu luto e suas homenagens. 

O comércio de Madureira fechou e o enterro reuniu em torno de 15.000 pessoas que foram caminhando e acompanhando Paulo em sua despedida até o cemitério de Irajá.

Maria Valéria - historiadora 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cia. É Tudo Cena! estreia "2x em Cena!" no CEU das Artes de Maricá

Neste sábado e domingo, às 19h, a Cia. É Tudo Cena! estreia o espetáculo 2x em Cena!, com as esquetes Selvageria - livre adaptação do texto de Nelson Rodrigues, com os atores Leandro Nicolau e Ana Suely Malta.



Em seguida, Madrugada, me proteja!, de Luiz Silva Cuti, com Wilson Rabelo no elenco. A direção é Aduni Benton.


O CEU das Artes de Maricá fica no KM 28 da Avenida Amaral Peixoto, Mumbuca.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Prefeitura e Funarte fazem ocupação do CEU de Maricá

do portal da Prefeitura de Marica
Texto de Fernando Uchôa (edição de Raquel Andrade) e fotos de Fernando Silva


A Prefeitura de Maricá e a Funarte realizaram na noite da última sexta-feira (14/11) a ocupação da cia É Tudo Cena!, vencedora do edital do Ministério da Cultura (Minc), para a realização, no período de seis meses, de diferentes atividades culturais no Centro de  Esportes e Artes Unificados (CEU) de Maricá, localizado na Mumbuca. Na cerimônia de abertura, o público presente conferiu uma exposição, palestra e apresentações de música em homenagem a cultura afro.

 Abertura da ocupação ocorreu no Ceu. A Cia. É Tudo Cena! coordenará as 14 oficinas gratuitas.


O cerimonial ficou a cargo da produtora cultural Aduni Benton, que estará à frente das atividades realizadas no centro. "Durante a nossa permanência, estão programadas 14 oficinas temáticas (de teatro, dança, canto, artesanato e outras) e sextas-feiras musicais. Só um governo com um olhar diferenciado poderia proporcionar isto. Maricá é uma cidade que respira cultura. Noventa por cento dos artistas deste projeto são maricaenses", informou.
O secretário municipal de Cultura, Sérgio Mesquita, que representou o prefeito Washington Quaquá na ocasião, relatou que, após a inauguração do CEU em Maricá, que é o primeiro do estado do Rio de Janeiro, a realidade da comunidade é outra e os moradores são participativos e fazem questão de prestigiar os projetos desenvolvidos no local. “O CEU representa o espírito de luta. A comunidade não só participa como está inserida nele. Basta ver que em seis meses de inauguração já existem seis oficinas de teatro, com 120 alunos de seis aos 60 anos”, ressaltou orgulhoso.
Já o representante do Ministério da Cultura do Rio e Espírito Santo, Fábio Lima, ressaltou que o Brasil está vivendo um momento de transformação social. "A cultura é muito mais do que um evento isolado. Estamos vivendo um momento em que as minorias estão tendo as mesmas oportunidades que as classes privilegiadas na educação, nas artes, na cultura. Parabéns pelo evento e conte conosco para o que precisar", disse.

O evento, que contou com a presença de autoridades municipais de Maricá e de demais cidades, seguiu com a apresentação do Coral Iyún Asé Orin, com cânticos sagrados de diversas regiões da África. Um coquetel foi servido no intervalo da programação aos convidados.

O público conferiu diversas atividades culturais

A maestrina Tânia Amorim comemorou a ocupação oficial da companhia no CEU. "A aprovação, através de edital do Ministério da Cultura, legitima um trabalho de 18 anos em prol da cultura afro-brasileira. Conheço Aduni Benton há mais tempo, somos irmãs de crença. Sei que ela busca o melhor para o desenvolvimento do país", disse. O administrador municipal do CEU Maricá, William Campos, contou que várias empresas disputaram o edital de licitação, apresentando propostas para ocupação do espaço das artes. "Venceu a melhor. Espero que nestes seis meses possamos formar multiplicadores de uma nova mentalidade em Maricá. Há muita gente querendo fazer teatro, participar da vida cultural e artística da cidade", afirmou.

O evento ainda contou com exposição em homenagem à cultura afro

O presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Gutti Fraga, descreveu o CEU como uma “casa de sonhos”. De acordo com ele, a partir das oficinas, será possível para a comunidade realizar sonhos. “O homem sem sonhos é como um pássaro de asas quebradas. O artista é um sonhador, mas também é um cronista da vida. E essa crônica foi registrada quando o Ministério da Cultura inaugurou este CEU. Parabéns a todos nós por esta oportunidade de sonhar", finalizou.


Atividades Culturais no CEU
No Centro de Esportes e Artes Unificados (CEU) de Maricá, serão executadas atividades gratuitas de música, dança, teatro, esportes, pintura e literatura, disponíveis para moradores de todas as idades, pela Cia É Tudo Cena!, grupo teatral vencedor do edital da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Ao todo, serão realizadas 14 oficinas, divididas em três horários (9h às 12h, 14h às 16h30 e 18h às 22h): teatro infantil (com o grupo DJOTA), teatro negro (Cia. É Tudo Cena!), perna-de-pau (Grupo LATEX), capoeira (Filhos da Lua), percussão de instrumento e corporal (Mestre Nego Zara), balé clássico (Cia. Vida de Teatro e Dança), pintura com óleo sobre tela (artista plástico Di Bonilho), pintura contemporânea e tatuagem de hena (Felipe Benicá), beleza afro-brasileira (cabeleireiro Luizmarck Girão), contação de história (professora Lucinha Pessoa), arte de brincar sobre os vídeos infantis (psicopedagoga Fátima Reis), cestaria de taboa (artesã Benedita Rosa) e sinos dos ventos (artesã Paula Regina).


O Coral Iyún Asé Orin apresentou cânticos sagrados de diversas regiões da África

Pelo contrato de ocupação com a Funarte, a Cia. É Tudo Cena! promoverá, durante seis meses, sete exposições – indumentária e objetos de povos tradicionais de atriz africana, quadros de óleo sobre tela e de pintura contemporânea dos títulos de filmes, fotografias de beleza negra e de tatuagem, cestaria de taboa e sino dos ventos –, além da exibição de filmes para adultos e crianças (40 sessões ao todo), lançamento de seis livros e 10 apresentações musicais e 22 de peças teatrais. Outras informações podem ser obtidas na Secretaria Municipal de Cultura pelo telefone 3731-1432.​

domingo, 26 de outubro de 2014

A Cia. É Tudo Cena! ocupa o CEU das Artes de Maricá com programação cultural

A partir de novembro a Cia. É Tudo Cena! ocupará o CEU das Artes de Maricá (Centro de Artes e Esportes Unificado), inaugurado em maio, com uma programação que valoriza a cultura do município voltada para todas as idades. Intitulado "A cena brasileira na cultura de Maricá", a ocupação cultural conta com 7 exposições (indumentária e objetos de povos tradicionais de matriz africana, quadros de óleo sobre tela e de pintura contemporânea dos títulos de filmes, fotografias de beleza negra e de tatuagem, cestaria de taboa e sino dos ventos), exibição de filmes para adultos e crianças (40 sessões ao todo), contação de história para crianças, lançamento de 6 livros, 10 apresentações musicais, 22 de peças teatrais e diversas oficinas. 


As inscrições para as oficinas começam nesta segunda, 27, das 10h às 16h, e serão realizadas em três horários (9h às 12h, 14h às 16h30 e 18h às 22h), com 20 vagas cada e a faixa etária varia de acordo com a atividade. Serão disponibilizadas 14 oficinas: teatro infantil, teatro negro, perna-de-pau, capoeira, percussão de instrumento e corporal, balé clássico, pintura com óleo sobre tela, pintura contemporânea, tatuagem de hena, beleza afro-brasileira, contação de história, arte de brincar sobre os vídeos infantis, cestaria de taboa e sinos dos ventos.


Informações pelo telefone da Secretaria Municipal de Cultura de Maricá: 3731-1432

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Reminiscências (parte 1)

Paulo trafega por estações de sua vida remexendo emoções adormecidas no baú de sua memória...

Da esquerda para a direita: Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Gilberto Alves, Bide e Marçal

sábado, 17 de maio de 2014

Equipe da Cia. É Tudo Cena! visita quadra da Portela



 Dando início aos trabalhos de produção do espetáculo A História de Paulo Benjamim de Oliveira - O Paulo da Portela, a equipe de produção da Cia. É Tudo Cena! visitou, na última sexta 16, a quadra da azul e branco de Madureira. A convite de Celsinho de Andrade e de sua esposa Sandra,  fomos muito bem recepcionados pela escola.   

A diretora artística Aduni Benton, com o diretor de produção Marcos Paulo Silva, em companhia de Celsinho de Andrade entregando o projeto do espetáculo ao diretor cultural da escola Luis Carlos Magalhães
                                                                                        
  
Na ocasião, acontecia o concurso de Samba de Quadra, disputa que reúne compositores consagrados da escola, como Toninho Nascimento, Celsinho de Andrade, Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo. A abertura da noite ficou por conta do Samba do Presidente, uma animada roda de samba comandada pelo cantor e compositor Serginho Procópio, presidente da escola, que nos recebeu majestosamente. 


 Aduni Benton com o querido Noca da Portela

     Sérgio Procópio, presidente da escola, comanda o Samba do Presidente

A diretora artística da Cia. É Tudo Cena!, Aduni Benton, e o diretor de produção, Marcos Paulo Silva, entregaram nas mãos do diretor cultural da escola, Luis Carlos Magalhães, o projeto do espetáculo de teatro que conta a vida do “professor”.
A noite foi regada a muito samba e ao encontro de amigos como Noca da Portela, tudo ao melhor estilo da família portelense.

 Fotos por George Araújo

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Aduni Benton em entrevista ao CULTNE na III CONAPIR em Brasília

A diretora artística da Cia. É Tudo Cena!, Aduni Benton foi entrevistada pelo Babalorixá Elias D' Yansã especialmente para o CULTNE, na III CONAPIR em Brasília, onde destacou os 10 anos da SEPPIR e a importância dos avanços das políticas públicas.

 Confira o vídeo.
https://www.youtube.com/watch?v=BIsPNvZN0qQ&list=PL0VHJF9eK9zTHMZn3h0hmmgqJrCwQo4ID


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Audiência Pública em Brasília - Anais

No último 21 de agosto de 2012,  foi realizada audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, em que foi debatida a “implementação da política de patrocínio, por meio de editais e linhas de financiamento, para incentivo à cultura e às artes negras”. A audiência foi uma iniciativa do dep. Luiz Alberto (PT-BA) e recebeu o apoio dos deputados Waldenor Pereira (PT-BA); Jean Wyllys (Psol-RJ); Chico Alencar (Psol-RJ); Paulo Rubem Santiago (PDT-PE); Edson Santos (PT-RJ); e da deputada Fátima Bezerra (PT-RN). Também presentes a Exma. Sra. ministra da SEPPIR, Luiza Bairros; o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura/MINC, Sr. Henilton Menezes, e o presidente da Fundação Palmares, Eloi Ferreira (ambos representando a Sra. ministra Ana de Holanda); o gerente-executivo de Promoções, Cultura e Esportes da Caixa Econômica Federal (CEF), Gustavo Luiz Pacheco; a representante da Gerência Corporativa de Patrocínios da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Noaide Nery Correa Alves; o gerente-executivo da Diretoria de Marketing do Banco do Brasil (BB), José Avelar Matias Lopes; o diretor do Departamento de Patrocínios da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Antônio Carlos Gonçalves. Representando a sociedade civil, Valdina Pinto, makota do Terreiro Tanuri Junçara; Joel Zito Araújo, cineasta e diretor da Casa de Criação Cinema; e Hilton Cobra, diretor da Cia dos Comuns, cocoordenador do Fórum Nacional de Performance Negra e membro do movimento Akoben, movimento criado por artistas e produtores negros que, insatisfeitos com a invisibilidade imposta, grita por uma política cultural honesta, inclusiva e verdadeiramente democrática.

Foi uma reunião intensa, plenário lotado com representantes de várias partes do país, na qual pudemos debater vários temas de interesse dos artistas e produtores negros brasileiros.

Inicialmente, tivemos a participação dos representantes da sociedade civil, que colocaram de forma enfática nossas reflexões, exigências e necessidades. A makota Valdina Pinto cobrou de maneira indignada explicações quanto à ausência da ministra da Cultura, Ana de Holanda, numa audiência tão importante e que poderia apontar novos rumos para a arte e a cultura negras. Por várias vezes durante a sua fala solicitou aos seus representantes que notificassem à ministra a sua indignação por conta da sua ausência. “Está na hora de pararmos de ser objetos e passarmos a ser os autores da nossa representação. Acabar com essa cultura de opressão. Quem tem que falar de cultura negra é o sujeito negro. Temos que ser o sujeito e não o objeto dessas ações, para evitar estereótipos e a perpetuação do racismo” disse Valdina.

Na sua fala, o cineasta Joel Zito Araújo citou dois temas de absoluta relevância: a negação da diversidade racial brasileira por parte da atual produção cultural do país e o “embranquecimento” das telas do cinema e da TV.

No que tange ao embranquecimento das telas, apresentou números alarmantes e reveladores obtidos em pesquisas realizadas nos últimos 15 anos, segundo ele, “para demonstrar que a minha preocupação com o embranquecimento das telas brasileiras não é um arroubo de militante, mas que está fundada em bases científicas”.

Diz Joel Zito Araújo: “Em 2001 lancei um filme e um livro, chamados A negação do Brasil, sobre a história do negro na telenovela brasileira, frutos de cinco anos de pesquisa. Junto a uma equipe de pesquisadores, levantei a participação dos atores e das atrizes negras na telenovela brasileira desde o seu nascimento, em 1963, quando se tornou um programa diário na televisão brasileira, até o final dos anos 90. Examinamos 512 telenovelas e a constatação foi chocante:

Identificamos que:
– Em um terço das telenovelas produzidas até 1997 não havia nenhum personagem afrodescendente.
– Apenas em outro terço o número de atores negros contratados conseguiu ultrapassar levemente a marca de 10% do total do elenco.
– E 90% dos personagens criados representavam a subalternidade do negro na sociedade brasileira, ou seja, traziam os negros em estereótipos de si mesmos.”

Com muita propriedade, citou o programa cultural da Petrobras, recentemente lançado, que colocará cerca de R$ 65 milhões em cultura, e fez algumas importantes perguntas:

– Será que conseguiremos assegurar um critério de diversidade étnica e racial nessa grande produção que se anuncia?
– Será que atenderemos ao preceito de diversidade que está contemplado com destaque na lei 12.285, a lei da TV paga? 
– Ou será que, infelizmente, a persistência da mentalidade colonial que embranquece as nossas telase que torna o branco e a branquitude a representação do brasileiro e da cultura brasileira – e representação de todo ser humano – continuará mantendo os privilégios para o segmento eurodescendente da população?”

Hilton Cobra iniciou sua fala citando a perda do terreno situado no Lago Sul, em Brasília, destinado à instalação do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra, segundo ele, “fruto do descaso do MinC e da absoluta incompetência da Fundação Cultural Palmares”. Leu seu artigo publicado no jornal O Globo, no qual fala do descaso do MinC e de suas instituições vinculadas para com a arte e a cultura negras. “Até que ponto a ministra Anna de Holanda/MinC está disposta a tratar de forma igualitária as diversas matrizes culturais brasileiras? Em audiência com ela abordamos a formação das comissões e os critérios de avaliação de projetos. Por sua solicitação, enviamos documento registrando as propostas e, até agora, nada! Não se sabe, portanto, qual é o projeto de sua gestão para a cultura e as artes negras”.
Falou da política cultural hoje identificada como uma política de mercado, de produtos, de marketing. “Quem dita as regras da política cultural hoje no Brasil são os departamentos de marketing das empresas, tendo na Petrobras seu maior expoente”. Sugeriu ao dep. Luiz Alberto iniciarmos uma campanha para criar uma política cultural de Estado a exemplo do que ocorre com a Lei de fomento ao teatro, à dança, ao cinema da cidade de São Paulo. Em seguida leu e comentou o documento Uma proposta de inclusão a partir do apoio de empresas estatais e privadas à cultura e às artes”, elaborado pela Seppir, no qual sugere de forma eficaz e responsável o seguinte:

“Apoiar a formação e a consolidação de instituições culturais, companhias e grupos artísticos, visando romper o ciclo vicioso de obstáculos que impedem a sua continuidade e, consequentemente, o acúmulo de condições para o desenvolvimento sistemático de trabalhos culturais e artísticos de excelência”.

Na elaboração dos editais:
  • Garantir apoio a projetos de arte negra, bem como fortalecer e ampliar a agenda nacional e internacional de encontros e mostras realizados por artistas e coletivos negros.

  • Construir critérios para os editais, de modo que as características mais evidentes das artes negras – escolha política por um diálogo com matrizes culturais africanas – sejam consideradas como elementos positivos na avaliação dos projetos artísticos apresentados.

  • Instituir um piso de aprovação de 30% de projetos de arte negra em cada segmento contemplado nos editais das empresas estatais e privadas.

Na composição das comissões de avaliação dos projetos:
  • Incluir profissionais com sólidos conhecimentos sobre diversas matrizes culturais brasileiras, com experiência para avaliar saberes e práticas culturais afro-brasileiros e suas representações estéticas.

  • Assegurar a participação de pelo menos 30% de especialistas negras(os) – artistas, intelectuais, acadêmicos ou profissionais – com conhecimento das questões relativas à cultura, história, tradição e diversidade das populações negras e de outros segmentos étnicos do país, bem como garantir as possibilidades artísticas a elas vinculadas.

Na área de cultura negra:
  • Sem prejuízo das políticas afirmativas para as artes negras, propõe-se o estabelecimento de linhas de apoio específicas que contemplem manifestações culturais (i) ligadas ao carnaval, em especial os blocos afro; (ii) tombadas como bens imateriais – afoxé, samba de roda, maracatu, jongo, congados e capoeira; e (iii) a preservação do patrimônio material.

Hilton Cobra também desafiou os representantes das estatais a financiarem a agenda de que trata o documento da Seppir. Da agenda, na ocasião apresentada por ele, constam 17 projetos de encontros, festivais e mostras, com valor total de R$ 7 milhões que, segundo ele, é um valor muito menor do que aquele que a Petrobras gasta com os projetos de “excelência” que escolhe (Cia Deborah Colker, Cia Galpão e Grupo Corpo). “Para se adquirir excelência é necessário que se tenha profissionalismo, vocação, talento e dinheiro. Sem dinheiro não se atinge a excelência. Portanto, nós, negros, precisamos de dinheiro para atingir a nossa Excelência”, disse Cobra.

Para finalizar, com ênfase, disse: “Vocês não nos querem, mas nós temos direitos!”.

Desfeita esta mesa, foi a vez de os representantes das empresas e do governo se manifestarem. Nas falas dos representantes de empresas foi assumido o compromisso de inclusão de “profissionais negros com sólidos conhecimentos sobre diversas matrizes culturais brasileiras”, a exemplo do que sugere o documento da Seppir. Gustavo Pacheco, representante da Caixa Econômica, afirmou: “A Caixa Econômica Federal está aqui para ouvir, aprender e modificar o que estiver errado”. De um modo geral, todos apresentaram os pontos de vista das suas empresas, mostrando-se abertos ao diálogo.

Além da decepção pelas ausências das ministras Ana de Holanda e Helena Chagas e dos representantes da Petrobras, da Eletrobras e do BNDS, os representantes da ministra da Cultura, Srs. Henilton e Elói Ferreira, foram de um amadorismo incomum. Amadores porque esses números a seguir nos pareceram ter sido colhidos momentos antes da audiência.

Disse o Sr. Henilton, corroborado pelo Sr. Elói Ferreira, presidente da Fundação Palmares, “que o percentual de apoio a projetos de cultura negra através da Lei Rouanet é baixo. De acordo com os representantes do MinC, nos últimos quatro anos, o Ministério recebeu cerca de 30 mil propostas de incentivo, das quais 473 eram ligadas à cultura negra. Deste total, apenas 93 projetos foram aprovados para captação de recursos e 25 receberam patrocínio efetivo”.

Se, por ventura, esses números estiverem corretos, não é possível que o MinC, órgão do governo responsável por tocar a política cultural do país, não tenha percebido a gravidade do fato de que em quatro anos o Brasil só tenha financiado 25 projetos de arte e cultura de um povo que soma 100 milhões de brasileiros e que paga impostos como toda e qualquer pessoa normal. E mais, a cultura negra é o extrato da identidade cultural brasileira. O que vale constatar que vocês estão no lugar errado.

A partir desses números o MinC deveria encomendar uma pesquisa para saber:

  •          Qual o volume de artistas/produtores negros em atividade no Brasil?
  •          Qual a quantidade de grupos de dança e teatro negros existentes no Brasil?
  •          Qual a demanda de artistas negros brasileiros no âmbito das artes plásticas?
  •          Qual a quantidade de diretores, roteiristas e produtores negros de cinema no Brasil?
  •          Como estão os artistas negros na televisão brasileira? Temos roteiristas, diretores?                 Quantos?
  •         Toca samba (patrimônio) nas rádios brasileiras? Como sobrevivem os sambistas?
  •    Já levantaram as condições do maracatú, ijexá, coco, jongo, carimbó, lambada, maxixe, maculelê, congada, lundu, capoeira (patrimônio), tambor de mina, os terreiros de candomblé, e de tantas outras manifestações de matriz africana?



E as religiões afro-brasileiras (Babaçuê – ParáBatuque – Rio Grande do Sul;Cabula – Espírito SantoMinas GeraisRio de Janeiro e Santa Catarina;Candomblé – em todos os estados do Brasil; Culto aos Egungun – BahiaRio de JaneiroSão PauloCulto de Ifá – BahiaRio de JaneiroSão PauloMacumba –Rio de JaneiroOmoloko – Rio de JaneiroMinas GeraisSão PauloQuimbanda –Rio de JaneiroSão PauloTambor de Mina – MaranhãoTerecô – Maranhão;Umbanda – em todos os estados do Brasil; Xambá – AlagoasPernambuco;Xangô do Nordeste – Pernambuco), como estão?

O Sr. Henilton também disse que o MinC e as empresas só poderiam instituir cotas para projetos negros se fosse incluída essa nossa exigência/necessidade no Projeto de Lei 1129/2007 que trata do Procultura, e que tramita na Câmara aguardando parecer da Comissão de Finanças. Já estamos com o PL em mãos e faremos contato com o relator, o dep. Pedro Eugênio (PT/PE), que é o único que poderá incluir emendas.

O Sr. Henilton também propôs uma parceria com Seppir, Secom e MinC no sentido de estudar formas para solucionar essas questões. É bom ressaltar que, mais uma vez, o MinC chega tardiamente para tentar resolver questões que são inerentes à pasta, porque todos nós sabemos que Seppir, Secom, Petrobras, Correios e Caixa Econômica há muito vêm trabalhando nesse sentido. E é aí que nos reportamos ao artigo de Hilton Cobra, publicado em O Globo: “Se o MinC não reúne condições para tratar do assunto, que se junte à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) para pensar e executar ações afirmativas nos diferentes órgãos vinculados ao Ministério; que tire a Fundação Palmares do isolamento a que tem sido relegada, incorporando-a às estratégias mais amplas de gestão da cultura e das artes”.

Por fim, falou a ministra da Seppir, Sra. Luiza Bairros, única autoridade no âmbito do governo da presidente Dilma Russef que de fato vem cuidando dos interesses dos profissionais da arte e da cultura negras brasileiras até por saber, com propriedade, da importância de os 100 milhões de brasileiros negros perceberem que a sua cultura está sendo devidamente preservada e a arte dos seus artistas justamente apreciada por toda a gente brasileira. A ministra elencou várias ações da sua gestão à frente da Seppir no tocante ao tema, como seu encontro com a ministra Ana de Holanda, os acordos de cooperação assinados pela Seppir e presidentes da Petrobras, Caixa Econômica e Correios. Evidenciou a importância de o MinC juntar-se à Seppir e à Secom para uma ação propositiva e, mais importante, para que se tenha um real diagnóstico dos motivos pelos quais os projetos não são contemplados. Louvou a iniciativa do MinC e da Palmares de fazerem um projeto de formação para a elaboração de projetos, e propôs:

1.      que se “faça a formação dirigida para determinados editais”.
2.      que o Akoben e a comunicação da Seppir divulguem o calendário da caravana da Petrobras para que os produtores e os artistas negros possam se capacitar.
3.      que o Akoben promova e pilote um movimento no sentido de incentivar artistas e produtores negros a aplicarem seus projetos nos vários editais abertos e abra a informação para que “possamos controlar a demanda (...) quem mandou, que projeto, para qual edital (...)   para que se tenha esse volume dimensionado”.

O Akoben, mesmo sabendo que as razões pelas quais os nossos projetos não aprovados são fruto do racismo institucional que infesta as empresas públicas e privadas e as instituições vinculadas ao MinC, a exemplo da Funarte, do Museu de Belas Artes (aliás, temos que perguntar à sua diretora, Sra. Monica Xexéo, porque Emanuel Araújo, diretor-curador do Museu Afro Brasil/SP, escultor, desenhista, ilustrador, figurinista, gravador, cenógrafo, pintor, curador e museólogo, com certeza o mais renomado artista plástico negro brasileiro não expõe no citado Museu), seguirá o que sugeriu a ministra Luiza Bairros dando início à campanha intitulada: Vamos tomar de “assalto” os editais.

Iniciada a intervenção pública, duas nos chamaram a atenção. A primeira foi da diretora do Cia Nata de Teatro/BA, Fernanda Júlia, que na sua fala provocou a mesa composta por representantes das empresas e do MinC, além do deputado Luiz Alberto e da ministra Luiza Bairros, afirmando haver a necessidade da presença de artistas e especialistas da arte e da cultura negras nas comissões de julgamento de projetos. Pergunta Fernanda: “Vocês nos conhecem?”. A segunda foi da diretora artística da Cia É tudo cena/RJ, Aduni Benton, que em seu discurso chamou a atenção para as resoluções da última Conferência Nacional de Cultura: que "todos os editais públicos de cultura possam em seu corpo de jurados-avaliadores reunir, no mínimo, dois integrantes da etnia negra especializados em cultura negra para avaliar os projetos (...)". E ainda salientou que "o que nós queremos é que se cumpra o que está escrito, tanto na Conferência Nacional de Cultura quanto na Conferência Nacional de Igualdade Racial (...) porque não está sendo cumprido. É uma falácia!".

Vamos tomar de “assalto” os editais
O objetivo é:
  1. Incentivar você a se capacitar na caravana da Petrobras;
  2. Incentivar você a enquadrar projetos nesses e em todos os editais que serão lançados;

Para termos controle/dados e cobrarmos, após você enquadrar seus projetos, informe o Akoben pelo e-mail: akobencultural@gmail.com
1.      Nome do grupo, empresa, produtor ou artista.
2.      Nome do projeto.
3.      Em qual edital você enquadrou o projeto.
4.      Custo do projeto.
5.      Foi contemplado.
6.      Se foi contemplado, em qual edital.

Abaixo calendário de quatro editais em vigência. São eles:
Petrobras, Eletrobras, CCBB e Funarte:

Petrobras
Comecemos pela Caravana Petrobras Cultural, criada com o intuito de capacitar profissionais interessados em enquadrar projetos no Programa Petrobras Cultural.

“A Caravana Petrobras Cultural acontece durante o período das inscrições da seleção pública. O objetivo é divulgar a Seleção Pública Petrobras Cultural e a política de patrocínios da Companhia na cultura. A Caravana é destinada a produtores culturais e pessoas interessadas nas ações de patrocínio.”

Calendário da Caravana Petrobras
Rio Branco: 13 de setembro
Manaus: 27 de setembro
Salvador: 27 de setembro
Fortaleza: 13 de setembro
Brasília: 11 de setembro
Vitória: 25 de setembro
São Mateus: 26 de setembro
São Luís: 11 de setembro
Belo Horizonte: 18 de setembro
Montes Claros: 19 de setembro
Campo Grande: 25 de setembro
Belém: 28 de setembro
Recife: 28 de agosto
Teresina: 12 de setembro
Curitiba: 30 de agosto
Rio de Janeiro: 23 de agosto (já passou, mas ainda temos Macaé e Nova Iguaçu)
Macaé: 02 de outubro
Nova Iguaçu: 04 de outubro
Natal: 29 de agosto
Porto Alegre: 03 de outubro
Pelotas: 04 de outubro
Florianópolis: 28 de agosto
Joinvile: 29 de agosto
Aracaju: 30 agosto
São Paulo: 03 de setembro
Santos: 04 de setembro

Edital (calendário)
·                     17/08/2012 – Lançamento da Seleção Pública Petrobras Cultural 2012
·                     17/08/2012 – Abertura das inscrições
·                     05/10/2012 –Término das inscrições de Festivais de cinema e Festivais de música
·                     29/10/2012 – Término das inscrições de Apoio a museus, arquivos e bibliotecas, Memória das artes e Patrimônio imaterial
·                     30/10/2012 – Término das inscrições de Circulação de exposições, Manutenção de grupos e companhias de dança e Manutenção de grupos e companhias de teatro
·                     31/10/2012 – Término das inscrições de Produção literária e Produção de longa-metragem para salas de cinema
·                     01/11/2012 – Término das inscrições de Apoio a artistas, grupos e redes musicais.
·                     29/01/2013 – Divulgação dos resultados de Festivais de cinema e Festivais de música
·                     30/04/2013 – Divulgação dos resultados das demais áreas

Maiores informações:

Eletrobras
Programa Cultural das Empresas Eletrobras 2013
As inscrições terminam no dia 3 de outubro de 2012, às 8h (horário de Brasília), e devem ser realizadas no hotsite:

CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil
Edital de seleção de projetos culturais 2013 / 2014
Artes cênicas, cinema, ideia, música, programa educativo e exposição.
As inscrições terminam no dia 24 de outubro de 2012
Maiores informações
www.bb.com.br/cultura

Funarte
Funarte abre seleção de projetos culturais
Onze editais foram lançados pela Instituição entre os dias 15 e 20 de agosto
Como parte das ações programadas para 2012, a Fundação Nacional de Artes – Funarte está com inscrições abertas para seleção de projetos nas áreas de música, artes visuais, artes integradas, dança, circo e teatro. Entre os dias 15 e 20 de agosto, onze editais foram lançados pela Instituição.

O maior orçamento – R$ 12 milhões – será destinado ao Prêmio Myriam Muniz, uma das principais ações de estímulo à produção teatral no país e que irá contemplar 131 projetos. Na dança, o Prêmio Klauss Vianna conta com recursos de R$ 6 milhões para viabilizar 82 iniciativas. Também com investimento total de R$ 6 milhões, o Prêmio Funarte Petrobras Carequinha de Estímulo ao Circo vai contemplar 159 projetos – 44 a mais que na edição anterior.  E o Prêmio Artes Cênicas na Rua irá viabilizar 73 iniciativas.

Na música, uma das novidades é o Prêmio Funarte de Música Brasileira, que vai selecionar projetos de composições, arranjos, shows, vídeos, sítios de internet, pesquisas, entre outros relacionados ao universo da música. Outro edital da área – a Bolsa de Aperfeiçoamento Técnico e Artístico em Música – estabelece a concessão de 36 bolsas para cursos e estágios no Brasil e no exterior.

Nas artes visuais, foram lançados o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça; o XII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia; o Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais – 9 ª edição e a Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais.
Já o edital Bolsa Interações Estéticas, realizado pela Funarte e a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, oferece 50 bolsas, no valor de R$ 50 mil cada, para trabalhos de residências artísticas em Pontos de Cultura.

As inscrições estão abertas até 1º de outubro.

As inscrições estão abertas até 1º de outubro.

As inscrições estão abertas até 1º de outubro.

As inscrições estão abertas até 1º de outubro.

As inscrições estão abertas até 1º de outubro.

As inscrições estão abertas até 1º de outubro.

As inscrições estão abertas até 1º de outubro.

As inscrições estão abertas até 1º de outubro.

As inscrições estão abertas até 1º de outubro.

As inscrições estão abertas até 1º de outubro.

As inscrições estão abertas até 03 de outubro.